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terça-feira, 17 de abril de 2012

"Arte e Meio Ambiente"


Por: Sandro Nicodemo          "sala de aula "o homem e a floresta em pé" 

O processo de construção artística e a própria ferramenta da Arte em si, pode contribuir para que um determinado desejo de mudança e transformação seja concretizado, provocando percepções e modificações positivas do Meio Ambiente onde vivemos.
Através de experiências e reflexões sobre a prática docente (no olhar de artistas e ambientalistas), algumas alternativas podem ser encontradas para que o educador possa iniciar ou dar continuidade às suas atividades nas disciplinas: Arte e Meio Ambiente; respeitando suas especificidades, refletindo sobre as possibilidades de intersecção, além de trazer referências concretas para colocar em ação essa integração entre as mesmas.
No início nas minhas atividades como arte-educador buscava utilizar a arte exclusivamente como uma ferramenta para facilitar o diálogo sobre assuntos ambientais. Mas, no decorrer dessa prática, percebi que a própria produção artística, quando bem conduzida, respeitando os conteúdos específicos das linguagens, trata das questões ambientais e sustentabilidade (por exemplo, quando resgata valores culturais – costumes - de uma comunidade ou chama a atenção das pessoas para determinados locais antes não-percebidos).
A arte também pode facilitar o autoconhecimento corporal e emocional, além de contribuir para que a harmonia com esse meio (pessoas e outros seres vivos e não-vivos) motive a melhoria da qualidade de vida, proporcionando e valorizando encontros, além de potencializar relações saudáveis.
Importante destacar que o movimento de interterritorialização entre Arte e Meio Ambiente acontece, em sua grande maioria, provocados por artistas sensibilizados e preocupados com as questões ambientais e/ou ambientalistas que buscam melhorar sua eficiência na comunicação com seus interlocutores. Destaco também que a preocupação ambiental e artística, além de meramente estética, carrega consigo a preocupação com a qualidade de vida da população, a própria sobrevivência através do cuidado com os recursos naturais, com o planeta e consigo mesmo.
Podemos, então, considerar a relação da arte com o meio ambiente de duas formas:
            a) a mesma percepção integrada por: olhar crítico, consciência estética, incomodação constante e vontade transformadora, todas necessárias para uma determinada produção do ponto de vista artístico, também é perceptível no olhar ambientalista, na motivação para uma intervenção nesse ambiente;
b) a arte pode ser utilizada como estratégia de intervenção no ambiente, assim como destaca SELBACH (2010: 70): “As aulas de Artes são excelentes para que os alunos busquem diferentes linguagens (coral, teatro, desenho, recortes, danças, paródias, trovas) para a expressão e apresentação dos resultados.”
Recentemente, soube da existência do curso “Arte e Sustentabilidade”, para o qual já me inscrevi, e será promovido pela Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPAZ). O curso tem como objetivos: despertar os sentidos, desenvolver a sensibilidade, conhecer o trabalho de alguns artistas e relacionar a criação artística com a criação de contextos sustentáveis. Conteúdo Programático: Presença; Percepção e escala; O âmbito do vivo; Contemplação e ação; Ética e estética; Inteligência coletiva; A arte da sustentabilidade; As cidades invisíveis. Facilitadora: Rita de Cássia Bernardo Mendonça, Graduada pela Universidade de São Paulo (USP) em Ciências Biológicas. O texto de apresentação do curso está transcrito abaixo e converge para os objetivos apresentados nesse trabalho:
“Neste curso vamos conhecer o trabalho de alguns artistas de forma a identificar conceitos subjacentes a sustentabilidade empregados em suas obras. Além de buscarmos uma inspiração direta em seus trabalhos para que todos os participantes possam também se expressar com sensibilidade, criatividade e compromisso. Esculpimos as paisagens em que vivemos, determinamos os sons dos nossos ambientes e criamos coreografias por meio dos nossos movimentos, o tempo todo. Definimos as cores e as texturas do nosso mundo por meio das escolhas que fazemos para nos alimentar, nos vestir, morar, nos deslocar, nas relações humanas e com todos os seres vivos. No entanto nossas obras, criadas sem a intenção e a sensibilidade do artista, estão criando um mundo desprovido de beleza e cheio de problemas que afetam nossa capacidade de garantir um futuro saudável. A sustentabilidade pode ser vista como sendo o convite contemporâneo para todos os cidadãos tornarem-se artistas de seu próprio mundo: cada um de nós pode agir artisticamente, de acordo com nossa identidade pessoal, criatividade e as escolhas que fazemos. Os artistas expressam sua sensibilidade, visão de mundo e criatividade por meio de diversos suportes. Cada campo da arte coloca em movimento matérias diferentes. Nós podemos nos guiar por alguns caminhos da arte para fazer de nós mesmos, de nossos corpos e gestos cotidianos instrumentos para a criação de um mundo sensível, integrado e belo. “ (UMAPAZ, 2011).

Finalizando, trata-se de um trabalho inacabado, que apenas tenta mostrar algumas relações entre Arte e Meio Ambiente e dá um exemplo de como essas duas “disciplinas”, “linguagens” ou “temas” podem interagir, formando uma perfeita combinação na construção de cidadãos ativos e críticos da realidade que os cerca. Muitas experiências foram mapeadas, onde movimentos como a “Land Art” e “Arte Povera” demonstram como esse pensamento integrativo já acontecia antes mesmo da preocupação massiva global com as questões ambientais.
Assim como Arte e Meio Ambiente podem se relacionar, é possível que outras disciplinas possuam e/ou desenvolvam uma sinergia entre si e sejam motivadas por necessidades parecidas, ou até idênticas. O desafio é proporcionar essa reflexão, dar a oportunidade para que tal integração possa acontecer. Um canal de diálogo precisa ser criado.
Dessa forma, o trabalho tenta ser coerente com os dizeres de um trecho do Artigo 4 da Carta da Transdisciplinaridade: “O formalismo excessivo, a rigidez das definições e o absolutismo da objetividade comportando a exclusão do sujeito levam ao empobrecimento.”


Referência bibliográfica:

SELBACH, Simone (supervisão geral). Arte e Didática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010 (Coleção Como Bem Ensinar / coordenação Celso Antunes).


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